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sábado, março 01, 2008

A tabela - "blog" - e o espelho da madrasta

Foi a revelação do espelho que desencadeou a transformação da madrasta na bruxa da fábula da Branca de Neve e os sete anões. Mas não a simples revelação de que existia alguém mais bela: o que a motivou de fato foi a forma como ela encarava esta possibilidade, esta "concorrência". A sua felicidade e satisfação de viver no mundo por ela idealizado, só teria sentido sendo ela a mais bela, a melhor, o centro de tudo e de todos. Talvez, se o espelho não existisse para lhe revelar uma outra realidade, a madrasta, satisfeita em viver na ilusão dos seus predicados, poderia manter o seu "discurso" e jamais ter se transformado na bruxa da estória: a teria mantido adormecida, escondida, escamoteada. A incapacidade de lidar com a revelação, com a sua realidade, a levou a proceder da forma como prodeceu. Se a sua felicidade e satisfação de viver não tivéssem este viés mesquinho e egoísta, quem sabe a revelação, a "concorrência", lhe trouxesse desafios positivos, que a estimulassem a ser uma pessoa melhor, corrigindo eventuais falhas, melhorando as suas virtudes, enriquecendo desta forma as suas relações com a vida.
A tabela, revela, de forma limitada, mas revela mesmo assim, dentro do âmbito do grupo dos Forasteiros que tem participado dos jogos, um resultado real, normalmente diferente do discurso ou daquilo que cada um se imagina capaz de produzir: para melhor ou para pior. "Espelho, espelho meu, existe alguém que joga mais do que eu?" E ela talvez responda, como o espelho, de forma fria, "dura" e incisiva, não aquilo que gostaríamos ouvir mas o real rendimento de cada atleta. Não é ela, mas é através dela que a fábula dos Forasteiros e os seus 20 atletas (ou pernas de pau) pode ser escrita. Ela em si não é nada, não produz comportamentos nem destrói ou constrói personalidades. Os desejos subjetivos escondidos dentro de cada um, sim, são os responsáveis pelas reações e transformações: eles estão lá com ou sem o nosso "espelho". Cabe a cada um de nós, individualmente, escrever a história que quisermos: não consultar o "espelho" para manter a ilusão do que somos capazes, mantendo o nosso discurso e a nossa personalidade escamoteada pela satisfação que ele nos dá, é uma delas. Consultar e optar em nos transformarmos em "bruxos", envenenado a "maçã" para destruir os nossos eventuais concorrentes é outra. Ou, quem sabe, optemos em aproveitar a informação que ela nos dá para corrigir nossas deficiências e melhorar nossas virtudes, podendo, desta forma, além de curtir a euforia que o encontro e as bebidas nos proporcionam, construir de fato um grupo de amigos unidos e verdadeiramente felizes.
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